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05 julho 2014

Spoiler: Capítulo 18 de "Sorte ou Azar?"


Hello Cherries!

Voltei aqui porque mais uma meta foi concluída! Por enquanto não atualizarei a página, pois ainda não estipulei outra meta, mas assim que editar lá eu faço um post avisando.

A meta foi a seguinte: 
100 curtidas no Facebook → Preview do Próximo capítulo.
Então cá estou eu com uma preview (ou seja, um spoiler) do próximo capítulo de Sorte ou Azar. Vamos conferir?

" Era horrível. Era pior do que horrível. Era a pior coisa que já havia me acontecido em toda a vida. 
E, considerando a falta de sorte que tive durante a vida, isso queria realmente dizer alguma coisa. 
(...)
- Você vai me dizer que diabo está acontecendo? – perguntou Joe, com um sorriso igualmente falso grudado no rosto. Só que nele ficava lindo. 
- Nada – falei através do sorriso. – Absolutamente nada. Está tudo bem. Ah, olha, mesa sete. Aqui, perto da janela. 
- Não está nada bem – disse Joe enquanto assentia para outros caras que ele conhecia, que passavam e diziam: "E aí, Jonas?" – Não sou idiota. 
(...)
Depois ele não queria somente que eu fosse aos seus jogos de futebol. Queria que eu estivesse com ele o tempo todo. Queria me levar para a escola de manhã, depois que eu almoçasse com ele, depois assistisse ao treino de futebol após as aulas, depois jantasse na sua casa e fizesse o dever de casa com ele... até esperaria que eu passasse a noite lá, tenho certeza, se seus pais – e os meus – tivessem deixado. Ficava chateado se eu dissesse que queria ir ao cinema com minhas amigas ou ficar em casa para estudar violino. 
Logo o que eu havia pensado que era um sonho se transformou num pesadelo ao vivo e em cores... 
Até eu finalmente perceber que qualquer amor que eu tivesse sentido por ele havia desaparecido, e não queria mais passar NENHUM tempo com ele, quanto mais todos os momentos do dia, como ele queria. "

Eai, o que acharam do spoiler? O que acham que vai acontecer? Até amanhã, e descubram o que essas partes querem dizer no próximo capítulo!
~xoxo.


28 junho 2014

Sorte ou Azar? - Capítulo 17 #Day28


Willem – o Willem de Petra – chegou naquela quarta-feira, trazendo presentes – um acordeom minúsculo, que tocava de verdade, para Ashley; uma autêntica bola de futebol alemã para Braddy; um perfume para Miley; erva-de-gato para Mouche; um bibelô de uma garota tocando violino para mim – e um ar geral de bom humor e joie de vivre
Claro, ele era o maior gato. Eu não esperaria que Petra, que era tão linda, namorasse um bicho-papão, e definitivamente não namorava. Willem era ainda mais alto do que Joe, com cabelos louros, olhos azuis e um riso rápido e fácil. Entreouvi tia Jennifer dizer a mamãe, durante o telefonema semanal das duas: 
- Meu Deus, até eu estou meio apaixonada por ele. 
Petra, claro, estava nas nuvens por tê-lo ali. 
- Ele está dormindo no sofá – foi o que a au pair contou a Braddy e Ashley. E, de fato, havia até um travesseiro e um cobertor dobrados no sofá, no aconchegante apartamento do porão. 
Mas, mesmo assim, toda manhã eu via o sinal revelador de marcas vermelhas no rosto dela, causadas pela barba roçando. Imaginei como eu daria ao Joe a notícia de que a visita de Willem parecia estar indo muitíssimo bem – se é que ele ao menos continuava se importando. Nunca parecia surgir um bom momento, desde aquela tarde no campo de beisebol, para puxar o assunto que havíamos conversado ali – a nova política não-laissez-faire com relação a Miley e qual seria o impacto disso no relacionamento dele com Petra...
... em especial porque agora Miley parecia estar numa boa com relação a nós dois sermos amigos, e Joe passava na casa dos Pitt com a mesma freqüência de antes, para jogar bola com Braddy ou ficar na cozinha comigo. Isso me deu oportunidade suficiente para enfiar o sache de Lisa na mochila dele. Não que eu não acreditasse na afirmação de que Miley havia desistido de ser bruxa. Mas, mesmo assim, tinha de me preocupar com Chelsea e Emily. As duas viviam me lançando olhares malignos todo dia no refeitório... especialmente agora que Miley também havia pedido desculpa a Taylor, tinha sido perdoada e estava almoçando com a gente, ignorando as duas. 
Eu sabia que deveria ter sido direta e perguntado ao Joe: "Você ainda está apaixonado pela Petra?" Mas toda vez que eu pensava em fazer isso, o nó no estômago (que, desde a transformação de Miley, vinha aparecendo cada vez menos) retornava com força total. 
Por isso mantive a boca fechada com relação ao assunto. E Joe, é claro, nunca o puxou. Ainda que isso talvez fosse porque ele estava por perto o bastante para ver por si mesmo como Petra e Willem eram felizes juntos... Não que eu tivesse muito tempo para me preocupar com a vida amorosa de Petra. Faltando alguns dias para o baile, todas nós, garotas, estávamos pirando totalmente com o que iríamos usar. 
- Você tem de usar preto – afirmou Taylor. 
- Todo mundo usa preto – concordou Miley. – É tipo uma tradição. 
- Acho que minha mãe não me deixaria usar alguma coisa preta – falei, preocupada. Meus pais, tendo ouvido falar do baile – mas nada sobre a tentativa de suicídio de Miley (como disse tia Jennifer: "Deus não permita que Dianna fique sabendo disso. Ela vai levar você de volta para casa num segundo. Talvez fosse melhor... é... protegê-la da verdade.") –, tinham mandado cinqüenta dólares para comprar um vestido. Eu queria que o dinheiro se esticasse ao máximo possível. Por isso estava planejando ir à H&M na Quinta Avenida.

Mas Miley, que havia parado de zombar de mim por causa da relativa pobreza da minha família, ficou consternada com a idéia. 
- Você não pode usar um vestido da H&M no baile – ela estava chocada. – Todo mundo vai saber que você só gastou cinqüenta pratas nele. 
- Mas essa quantidade de dinheiro não vai dar para grande coisa numa loja comum – falei, porque já havia examinado os vestidos na Bloomingdale’s e na Macy’s. 
- Deixe comigo – disse Miley. 
E naquele dia ela chegou do terapeuta com uma bolsa da Betsey Johnson. 
- Ela tem uma loja perto do consultório do Dr. Lipman – explicou Miley, empolgada, enquanto pegava um vestido comprido e colante. – Vi esse na vitrine e soube que ficaria perfeito em você. Não se preocupe, estava na liquidação. Custou mais de cinqüenta dólares, mas, considere que... tipo, é meu presente oficial de agradecimento por tudo que fez por mim. 
Olhei o vestido. Era lindo. Mas... 
- É preto – falei. 
- Sei que é preto – senti uma leve sugestão da antiga aspereza na voz de Miley. – Mas olha só. É perfeito para você. Com sua pele branca e esse cabelo ruivo... 
- Mas... é preto. – Olhei para ela. – Minha mãe vai me matar. Ela diz que eu sou nova demais para usar preto. E você sabe que tia Jennifer vai mandar fotos para ela, por e-mail... 
- Mande sua mãe entrar no século XXI – Miley gargalhou. – Isso aqui é Manhattan, não Hancock. Ninguém usa cor-de-rosa nos bailes aqui. 
Segurei o vestido. Não que eu não QUISESSE usá-lo. Decotado, com alças fininhas, não passava de dois pedaços de tecido preto colante, costurados na lateral. Penduradas na bainha havia dezenas de contas pretas e brilhantes que tilintavam sempre que se moviam. 
Era estupendo. E também não era nem um pouco a minha cara. 
- Vista – disse Miley. 
Eu sabia que, se vestisse, nunca mais poderia deixar de usá-lo. 
- Não – retruquei. – Realmente não devo. Use VOCÊ no baile, Miley. Você ficaria fantástica nele. 
- Já tenho um vestido no qual fico fantástica. Só experimente. Experimentar não vai fazer mal. 
Abrace aquilo que você teme.

Ela estava certa. Experimentar não faria mal. 
E experimentei. 
E, como eu suspeitava, soube que tinha de ficar com ele. Coube perfeitamente, como uma luva, mostrando meus braços e a maior parte das costas, e muito mais do peito do que eu já havia mostrado antes fora de uma piscina. 
Mas fazia com que eu parecesse... fazia com que eu parecesse... 
- Alguém que NÃO é a filha de uma pastora – Miley completou meus pensamentos. – Quando Joe vir você nisso aí, não vai mais ser "só amigo". 
E com isso eu soube que ia ficar com ele. Não que tenha dito a Miley alguma coisa para fazê-la achar que eu estava concordando. Porque não concordava. Joe nunca pensaria em mim como mais do que um amigo... 
Mas não faria mal parecer um pouco mais sensual, para variar. Mamãe teria de encarar isso. Ou talvez eu pudesse convencer tia Jennifer a dizer a ela que a máquina fotográfica quebrou... 

Na manhã do baile, a mãe de Miley nos surpreendeu – Miley, Taylor e eu – com uma ida ao seu SPA predileto no Soho, com todas as despesas pagas. Manicure, pedicure, cabelo e maquiagem feitos por profissionais. Tia Jennifer disse que fez isso porque "Vocês, garotas, estão se dando muito bem. E, Miley, você fez muito progresso esta semana." 
Havia lágrimas nos olhos de tia Jennifer quando disse isso, à mesa do café-da-manhã. Foi tão fofo que eu quase fiquei com lágrimas nos olhos... só que não pelo mesmo motivo de tia Jennifer. 
A verdade era que, pela primeira vez na vida, as coisas estavam indo bem de verdade. Não sei se Lisa havia feito alguma coisa para mudar a minha sorte, ou se, por algum milagre, eu mesma tinha feito. Só sabia que não só estava me dando bem com Miley como também tinha uma boa amiga (Taylor, que concordou gentilmente em deixar Miley retornar ao seu círculo social, desde que ela continuasse se abstendo de falar de coleta de cogumelos tirados de lápides, à hora do almoço) e além disso, se não um namorado, pelo menos um amigo.

Na verdade foi Joe que me mostrou o panfleto que havia encontrado no escritório da administração da escola, anunciando uma bolsa – integral – para o ano seguinte, para qualquer aluno com nota suficientemente alta que pudesse comprovar necessidades financeiras. 
O chamariz? O aluno também teria de mostrar que sabia tocar algum instrumento. Era preciso fazer um teste e coisa e tal. 
- É perfeito para você – incentivou Joe. – Está no papo. 
Eu não sabia. Mas sabia o quanto havia passado a gostar de Nova York. Não tanto da escola Chapman, que eu ainda achava que era cheia de esnobes metidos a besta – e um bom número deles ainda me culpava pela expulsão de Liam... não que isso me incomodasse muito. Eu sabia a verdade e, mais importante, as pessoas com quem eu me importava sabiam. 
Mas eu adorava morar com os Pitt– agora que Miley finalmente estava sendo tão legal comigo – e adorava, adorava, adorava a cidade. Adorava as ruas movimentadas, as vitrines lindíssimas, os prédios altos, o Metropolitan, o Carnegie Hall, o gyoza do Sushi by Gari, os bagels da H&H e o salmão defumado da Citarella. Até havia superado o medo do metrô, e (quase) podia pegar a linha seis sem a menor sugestão de nó no estômago. 
Eu ainda era uma negação para pegar qualquer outra linha. Mas sabia usar a seis direitinho. 
E, tudo bem, sentia falta de Selena e da minha família. 
Mas de Hancock? Não sentia falta nenhuma. 
Em especial de alguns aspectos da cidade. E, se conseguisse a bolsa, não teria de voltar. Sabia que tia Jennifer e tio Brad me deixariam ficar com eles. Claro, meus pais ficariam tristes (mas Dallas não – era menos uma pessoa para usar o banheiro no lugar dela).

Mas até minha mãe e meu pai entenderiam que a formatura da escola Chapman ficaria melhor na minha inscrição para a academia Juilliard do que a da escola Hancock – e porque eu não tentaria entrar para a Juilliard? Havia muitas vantagens em ficar na cidade e não voltar a Hancock... e eu nem estava contando o fato de que Joe também estaria na Chapman – pelo menos por mais um ano. 

Às seis e cinqüenta e nove da noite do baile – depois de passar o dia sendo paparicada e arrumada (se bem que o cabeleireiro, Jach, havia dado uma olhada no meu cabelo e dito: "Na-na-ni-na-não. Não vamos fazer nada nele. Talvez levantar um pouquinho na frente com um prendedor – ah, sim, está ótimo – mas ninguém vai chegar com uma chapinha perto dessa garota. Ouviram, pessoal?") – eu estava prendendo a tira bordada com pedrinhas da minha sandália de salto alto quando a campainha tocou. 
Então ouvi Braddy, sempre o primeiro a chegar à porta, gritando:
- Joe! 
- Ele chegou, ele chegou – Ashley entrou correndo no meu quarto para anunciar. 
Mas parou derrapando junto à porta e me olhou boquiaberta. 
- Ah, minha nossa! Demi, você está igual a uma princesa! 
- Verdade? – puxei nervosa o vestido, olhando o reflexo no espelho de corpo inteiro na porta do meu banheiro. De repente, tudo aquilo parecia demais: o vestido era muito apertado, o decote muito baixo, a maquiagem muito pesada, os saltos altos demais, o pentagrama no pulso... é, eu ainda estava usando-o para dar sorte, porque se algum dia precisava de sorte, era AQUELE. Mas achei que usá-lo no pulso seria um pouquinho mais discreto, já que normalmente ficava escondido por baixo da gola do uniforme... em especial porque o decote daquele vestido era tão imenso que tornaria o pentagrama evidente demais se eu o usasse pendurado no pescoço. 
- Ah, Demi – Petra se juntou a Ashley, à porta. – Ela está certa. Você ficou linda. 
- O vestido não é apertado demais? – perguntei, ansiosa.

- De jeito nenhum – respondeu Petra. – Ah, espero que a Sra. Pitt encontre a máquina fotográfica! 
Fiz uma oração silenciosa para tia Jennifer não encontrar... especialmente porque eu havia escondido a câmera na secadora de roupas. 
- Bem, vamos lá – eu disse. 
Saí do quarto e desci a escada para o hall. 
Joe estava ali, impossivelmente lindo com seu smoking, batendo papo com o tio Brad. Uma das mãos estava no bolso da calça e a outra segurava uma caixa de plástico transparente com uma flor dentro. Olhou escada acima quando ouviu Ashley, que se esgueirava atrás de mim, soltar um risinho. E todo o meu nervosismo com relação à minha aparência desapareceu. Porque, o que quer que Joe estivesse dizendo ao meu tio, ele pareceu não se lembrar mais quando sua voz ficou no ar e o olhar, aparentemente travado em mim, me acompanhou enquanto eu descia a escada. "Por favor, não cai", eu ficava dizendo a mim mesma quando pisava em casa degrau. Quando finalmente cheguei, Joe continuou sem se mexer. Pelo menos até que Braddy, ainda pendurado na maçaneta da porta, gritou: 
- Uau, Demi! Você está fantástica! 
Então Joe pareceu acordar. 
- É. É, você está mesmo... mesmo... 
Fiquei ali parada, o estômago subitamente cheio de nós – o que ele ia dizer? É claro que eu não estava lindíssima nem nada. Não é o tipo de coisa que amigos dizem uns aos outros... 
- Você está linda! – Foi tia Jennifer que terminou a frase para ele, estendendo os braços para me abraçar. E Joe (não pude deixar de perceber) não se apressou nem um pouco para corrigi-la. – Ah, Demi, eu queria saber onde deixei a máquina fotográfica. Sua mãe vai me matar! 
- Tudo bem, tia Jennifer – virei os olhos para Joe por cima dos ombros de tia Jennifer enquanto ela me abraçava. Finalmente ele conseguiu rir para mim. – Tenho certeza de que ela vai superar isso. 
- Mas eu não vou. – Ela me soltou, em seguida olhou para Joe e para mim com lágrimas nos olhos. – Ah, vocês dois estão tão... tão...
- Mamãe – disse Miley, em voz calorosa, do patamar da escada. – Não comece a chorar. Aí eu vou começar a chorar, e você vai estragar minha maquiagem. 
Todos olhamos para cima enquanto Miley, uma visão em branco (mas ela não havia dito que todo mundo usava preto no baile formal da primavera?), descia a escada. O vestido, pelos padrões de Miley, era quase modesto, uma espuma de tule branco-neve com corpete de cetim que ela havia acompanhado com luvas até acima dos cotovelos. Se alguém parecia uma princesa, era Miley. Na verdade, em comparação, achei que eu parecia... bem, meio vagabunda. 
- Miley! – exclamou a mãe dela. – Você está de tirar o fôlego! Ah, onde é que pus a máquina? 
- Aqui, use a minha, mamãe – Miley tirou a pequena câmera digital de uma bolsa um tanto volumosa, para uma bolsa de noite. 
Fantástico. Depois de todo trabalho que eu havia tido, mamãe ia receber uma foto de qualquer modo. E na foto eu estaria com a aparência que Miley costumava ter e minha prima pareceria... bem, eu. Se eu não tivesse perdido a cabeça por causa do vestido que ela havia comprado para mim. 
Ela HAVIA dito que todo mundo usaria preto. Então o que estava fazendo de branco? 
Suportamos uma rodada de fotos, depois o evento humilhante de Joe prendendo a flor que havia trazido para mim – uma rosa vermelho-sangue –, o que exigiu MAIS fotos. 
E isso foi particularmente embaraçoso porque não havia muito vestido em que prender a flor, só uma tira. Tia Jennifer teve de ajudar – o que foi bom, porque eu estava me sentindo como se fosse morrer, com Joe tão perto de mim que dava para ver o lugarzinho minúsculo em que ele havia esquecido de se barbear, logo abaixo da orelha... o que era definitivamente perto demais para mim.
Não que eu não tivesse gostado, mas meu coração acelerou no mesmo instante e ele perceberia se ficasse mais tempo assim. 
Por fim, quase às sete e meia, eles nos deixaram ir. Subimos na limusine que nos esperava e soltamos um suspiro grupal de alívio.

- Atirem em mim – disse Miley do meio da poça branca e fofa que seu vestido formava contra o banco de couro preto – se algum dia eu ficar daquele jeito, certo? – ela se referia aos pais. 
- Achei que eles foram muito fofos – retruquei – Eles me deixaram meio com vergonha. Mas mesmo assim foram uns fofos. 
Tentei não demonstrar como me sentia impressionada por estar numa limusine. Nunca havia estado numa, claro. Vi que havia um decantador de verdade, cheio de uísque, no bar lateral e uma TV de tela plana presa ao teto por uma dobradiça. 
Mas não mexi nos botões nem nada, para não entregar que esta era uma coisa que eu não fazia todo dia. Quero dizer, andar de limusine.
E então chegamos. Como a escola Chapman não tinha ginásio, precisava fazer o baile anual de primavera num salão de hotel. O hotel que haviam escolhido para o baile deste ano era o Waldorf-Astoria. O Waldorf é um enorme hotel chique na Park Avenue. Quando nossa limusine parou na entrada, um porteiro de libré vermelha e dourada abriu a porta do carro para nós. Miley foi a primeira a sair, seguida por mim, e depois Joe.
Mas Miley não esperou por nós. Enquanto descíamos da limusine, ela já estava passando pelas grandes portas giratórias e douradas. 
- É isso aí – comentou Joe. – Alguém está ansiosa para chegar ao ponche. 
- Eu sei – assenti, desconfortável. – Espero que ela não tenha um ataque quando descobrir que não é diet. 
Então, me olhando enquanto subíamos a escada coberta por um tapete vermelho até a porta giratória, Joe perguntou: 
- Ei, já falei como você está fantástica nesse vestido? 
- Não – fiquei vermelha até o meu último fio de cabelo e torci para que ele não notasse. – Não falou. 
- Bom, você está fantástica neste vestido. 
- Obrigada. – O que estava acontecendo ali? Joe estava quase... bem, flertando comigo. – Você também não está mal. 
- Bem – disse Joe, fingindo um suspiro dramático. – Faço o que posso. 
Então havíamos passado pela porta giratória e estávamos dentro do saguão teatral e de teto alto.

- Meu Deus, Demi! – De repente, Taylor estava ao meu lado, arrastando um Robert de aparência muito alerta. – Você está fabulosa! Esse vestido é INCRÍVEL. Ah, oi, Joe. O que aconteceu com a Miley? – ela perguntou, sem esperar resposta. – Ela passou pela gente como um tornado. E vocês viram aquele vestido? Quem ela acha que é? A porcaria da princesa Diana? 
- É – concordei. – Achei que vocês tinham dito que todo mundo usa preto no baile da primavera. 
- Todo mundo USA – Taylor indicou seu próprio vestido preto, que provavelmente custou o equivalente a UM ANO das minhas mesadas. 
Robert olhou para Joe: 
- Cara, você tem algum bagulho aí? 
- Não – respondeu Joe. – E acho que não se pode fumar aqui. 
- Eu sei. Só estava, você sabe. Perguntando. Para mais tarde. 
- Vocês precisam ver o salão de baile – Taylor nos conduziu para uma porta dupla, ao lado da qual havia uma placa com letras elegantes: BAILE DE PRIMAVERA DA ESCOLA CHAPMAN. – A decoração é tão cafona! Não sei o que a comissão do baile estava pensando. Tipo, espera até você... Mas Taylor não conseguiu dizer o que achava tão cafona no modo como a comissão do baile havia arrumado o salão do Waldorf-Astoria para o Baile da Primavera da Escola Chapman. Porque, naquele momento, Miley veio correndo até nós, tendo ao lado um cara alto e louro de smoking. 
- Oi, todo mundo – ela tinha um sorriso que ia de orelha a orelha. – Quero que conheçam o novo homem da minha vida. Não contei a vocês porque queria que fosse surpresa. Este é o meu acompanhante. Ah, na verdade, Jinx, acho que você o conhece. 
E, surpresa, olhei o rosto do acompanhante dela. 
E quase desmaiei ali mesmo.

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Hello angels, como vocês estão?
Hmm, Miley com certeza estava tramando alguma, o que será? Quem será que é este acompanhante? Descubra no próximo capítulo de SOA!

Ps: obrigada pela dica, Estela. Gostei muito, vou usar bastante. E obrigada por sempre estar comentando. Beijos :*

~See Ya!


20 junho 2014

Sorte ou Azar? - Capítulo 16 #Day20


Posso ter azar crônico – possivelmente provocado apenas por minhas próprias inseguranças –, mas não sou idiota. Não contaria aos pais de Miley onde ela havia conseguido a droga. Já estava sendo difícil me encaixar na escola – considerando o rato sem cabeça que apareceu na porta do meu armário e os boatos sobre o assédio na minha cidade – sem que me rotulassem de dedo-duro. 
De modo que o fato de Liam ser expulso não teve nada a ver comigo. Quando, durante o terceiro período da manhã de segunda-feira, correu a notícia de que os administradores da escola estavam revistando os armários das pessoas, nem pensei nisso. 
Mas desconfiei quando, durante o quarto período (História dos EUA, que por acaso eu fazia junto com Miley e Liam, mas Miley não estava na escola na segunda, porque tinha consultas com o terapeuta e com o médico), o diretor apareceu na porta da sala e falou com a Sra. Tyler: 
- Posso falar com Liam Hemsworth, por favor? 
Até eu soube que não era bom sinal. 
Então, no almoço, correu a notícia de que ele havia ido embora. Expulso. Havia dançado. 
- Bem, eu, por mim, estou satisfeita. – Taylor foi filosófica com relação à coisa toda enquanto lambia a embalagem de seu Devil Dog. – Tipo, agora o Robert vai ter muito mais dificuldade para conseguir. Você sabe. Bagulho. Claro, ele poderia ir à Washington Square, comprar. Mas metade daqueles traficantes são policiais disfarçados. Ele não vai se arriscar. Se for apanhado, os pais matam ele. Agora talvez ele até fique careta no baile. Vai ser uma mudança.  
- Vou ter que ir ao baile careta? – Robert pareceu meio nauseado. – Cara, isso não está certo. 
- Ah, cai na real – disse Taylor. – Vai ser bom você ver como é a vida das pessoas normais. 
- Como a vida das pessoas normais é um saco – retrucou Robert. 
Eu estava rindo da consternação dele quando uma voz familiar e grave, muito perto do meu ouvido, disse: 
- Pode rir, DEDO-DURO. 
Quase engasguei com o Nuggets. Virei-me no banco e vi Chelsea e Emily me encarando, de cara feia.
Ai, que saco! 
Era nessas horas que eu desejava que Selena aparecesse atrás de uma névoa qualquer. Não que ela fosse briguenta, mas ela não suportava esse tipo de coisa como eu - e, aparentemente, como Taylor - suportava, ela já teria levantado e feito o nariz de uma delas sangrar.

- Está feliz agora, dedo-duro? – quis saber Chelsea. – Como se não bastasse roubar Joe debaixo do nariz de Miley? Tinha de fazer o namorado dela ser expulso da escola, também? 
Olhei as duas garotas. 
- Eu não roubei o Joe de ninguém – respondi quando finalmente encontrei a voz. – Ele e eu não estamos namorando. E ele e Miley também não estavam. E não sei do que você está falando, sobre o Liam. Não fui eu que contei. 
- Ah, até parece – Emily fez uma careta. – Filha de pastora? Claro que foi você. 
- Não fui. 
- Pode dizer o que quiser, dedo-duro – rosnou Chelsea. Em seguida ela e Emily pegaram as bandejas e foram para o canto mais distante do refeitório. 
Quando me virei de volta para a mesa, perturbada, Taylor estava com uma expressão simpática. 
- Ah, Demi. Não deixe essas bruxas pegarem no seu pé. Sabemos que não foi você. E, mesmo que fosse, quem poderia culpá-la, depois do que aconteceu com Miley? 
Porque, claro, a notícia da tentativa de suicídio de My havia se espalhado pela escola como fogo na mata, ainda que eu não tivesse dito uma palavra a respeito. 
- Não fui eu – insisti, com ferocidade. 
- Não se preocupe. – Robert parecia entediado. – Ninguém ouve aquelas duas mocréias, mesmo. 
Mas ele estava errado. Ou isso ou Chelsea e Emily não eram as únicas que estavam dizendo que eu havia dedurado o Liam. Em todo lugar aonde eu ia, as pessoas começavam a cochichar, e só paravam quando eu olhava na direção delas. Quando chegou o horário da educação física, no quinto período, eu já havia suportado tudo que podia. 
Só havia uma única outra pessoa na Chapman cuja reação ao lance com o Liam me importava. E ele vinha me evitando como a peste desde a noite de sábado. Eu não havia chegado suficientemente perto do Joe para trocar uma única palavra com ele, quanto mais enfiar o sache de Lisa em sua mochila. 
Não que eu o culpasse. Contando os meus problemas com Miley e depois o negócio de ser bruxa – e agora isso –, eu devia parecer o grande imã de azar que eu sabia que, de fato, era.
O professor Winthrop tinha mandado a gente jogar softball de novo. Não foi milagre eu e Joe pararmos no mesmo time. O professor Winthrop, num raro momento de bom humor, aparentemente decidiu que seria hilário nomear uma nerd musical – e supostamente dedo-duro, se bem que tenho quase certeza de que ele ainda não sabia disso – como capitã de time. Joe, claro, foi a primeira pessoa que escolhi. Ei, esse podia ser o único modo de conseguir fazer com que ele falasse comigo. 
Mas eu estava errada. Mais uma vez. Ele falou comigo por livre e espontânea vontade enquanto esperávamos nossa vez de rebater. 
- E então, prima Demetria de Iowa. Você não estava mentindo quando disse que tinha azar crônico. Sério, você tem a pior sorte que eu já vi. Agora ouvi dizer que é dedo-duro. 
Precisei me esforçar – de verdade – para não abrir o berreiro ali mesmo, atrás da cerca de aramado, mesmo que todos soubéssemos que choro não fazia parte das regras do beisebol. Nem do softball. 
- Não fui eu – respondi um pouco alto demais. Todo mundo no nosso time olhou para mim. 
O sorriso de Joe foi gentil. 
- Relaxa, Demi. Sei que não foi você. Mas é interessante que o boato seja esse, não é? 
- Faz sentido – dei de ombros. – Quero dizer, ela é minha prima. Eu sou nova aqui. Sou... 
- ... filha de pastora. É, eu sei. Ouvi tudo isso, também. Então, o que vai fazer? 
Dei de ombros outra vez. 
- O que eu posso fazer? 
- Ir ao baile comigo. 
Lancei-lhe um olhar fulminante. 
- Pirou de vez? Isso só vai piorar tudo. Chelsea e Emily já estão dizendo por aí... 
- Exatamente. Chelsea e Emily só estão pondo lenha na fogueira. E por que você acha que elas estão fazendo isso? 
Porque não quero me unir à Miley e ajudá-las a formar o coven de bruxas mais poderoso da costa leste. Só que eu não podia dizer isso. Por isso, falei: 
- Porque me odeiam. 
- Certo. Mas por que odeiam você? Porque Miley mandou. 
Balancei a cabeça, confusa. 
- Está dizendo que Miley disse a elas que fui eu que fiz Liam ser expulso?

- Isso parece alguma coisa fora do comum, dado o que você sabe sobre sua prima? 
Pensei nisso. Pensei mesmo. Só não conseguia ver Miley fazendo uma coisa tão sorrateira. Fingir uma tentativa de suicídio, sendo tão dramática, sim. Mas espalhar um boato a meu respeito, que ela sabia que não era verdadeiro? 
Por outro lado, ela andava usando muito o MSN ultimamente... 
Mesmo assim. 
- Não sei, Joe. Acho que nem mesmo Miley se rebaixaria tanto. 
- Ótimo. Mas no caso de você mudar de idéia... o convite está de pé.
- O convite... para o baile? – Lamento dizer que no fim da frase a minha voz subiu até se transformar num berro. 
- É – Joe pareceu achar aquilo divertido, acho que por causa do lance do berro. – O próprio. 
- Mas... – A verdade é que, mesmo tendo dito aquelas mesmas palavras duas noites antes, dizer que eu não iria ao baile com ele era algo que continuava doendo... doía mais ainda do que a oferta que fiz aos pais de Miley, de voltar para Hancock. 
Mas eu sabia que não deveria cobrar um convite que ele poderia se arrepender de ter feito. Quero dizer, não seria justo. Ninguém, nem mesmo um cara fantástico como o Joe, quer se ligar a alguém com fama de dedo-duro. 
- Sério, Joe. Está tudo bem. Você pode levar outra garota. Não vou me importar. 
Isso me mataria. Mas eu não deixaria que ele soubesse. 
Mas, para minha surpresa, em vez de discutir mais, ele disse: 
- Olha, você está estudando História dos EUA. A Sra. Tyler já entrou nos diferentes estilos de governo? 
- Já – imaginei o que, afinal, isso teria a ver com o baile. 
- Ela chegou ao governo estilo laissez-faire... que deixa as coisas seguirem seu próprio rumo? 
- A abstenção, por parte do governo, de intervir no livre mercado – disse eu. 
- Certo. Acho que você pode dizer que eu sempre tive uma abordagem meio laissez-faire com relação a Miley. Enquanto ela não pegasse no meu pé, eu não pegava no pé dela, entende? Durante um tempo, suspeitei que ela fosse a fim de mim, mas...

- Mas você gostava de Petra – terminei por ele. – E enquanto continuasse amigo de Miley, tinha uma desculpa para ir vê-la. Quero dizer, ver Petra. 
Ele pareceu sem graça. 
- Bom. É. Basicamente. Pelo menos por um tempo. Mas o negócio é o seguinte: não planejo continuar com a abordagem laissez-faire com relação a Miley... nem com mais ninguém. Acho que está na hora de tomar partido. 
- Mas Joe, se você e eu formos ao baile – falei, cautelosa –, e Miley ficar furiosa e depois eu – engoli em seco – voltar para Hancock, você não terá mais desculpa para ver Petra. Miley não vai perdoá-lo, e você sabe disso. 
- Sei. É isso que estou tentando dizer. Estou preparado para esse sacrifício. 
Olhei-o, curiosa. 
- Mas por quê? Por que faria isso? Você deixou de amar a Petra? 
Joe estava com a expressão mais estranha do mundo no rosto. Parecia a meio caminho entre a frustração e a diversão. Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi interrompido pelo professor Winthrop, que berrou: 
- Jonas! Sua vez! 
Dando um sorriso de desculpa, Joe foi pegar um taco. 
Recostei-me no banco, imaginando o que ele iria dizer. Será que os sentimentos de Joe por Petra haviam mudado? Será que o fato de vê-la tão empolgada com a visita iminente de Willem por fim o fez perceber que nunca teria chance com ela? 
O que estava acontecendo?
Confesso que me animei um pouquinho com a hipótese. Ok, me animei muito. Mas precisava de respostas. Quer dizer, não posso me prender a uma suposição feita por minhas esperanças, certo? 
Mas não consegui descobrir, porque mais tarde, no jogo, alguém fez uma rebatida que colidiu com minha cabeça (típico) e precisei ficar sentada na lateral até que o professor Winthrop finalmente se convenceu de que eu não tive uma concussão e me deixou voltar ao vestiário para me trocar. 

Mas se os sentimentos de Joe por Petra eram passado, não eram os únicos, descobri quando cheguei em casa naquele dia. Parece que o mesmo havia acontecido com os sentimentos de Miley por mim. Pelo menos seus sentimentos de animosidade contra a minha pessoa. 
Ou pelo menos era o que ela dizia. 
Eu estava estudando música no quarto quando ouvi a batida na porta.

- Entre – falei, baixando o violino. Sabia que tinha de ser alguma coisa importante. Eu havia enfiado na cabeça de Braddy e Ashley que não deveria se perturbada durante minha hora de estudo a cada tarde, não importando o que tivesse acontecido no Bob Esponja
Eu deveria saber que não poderia ter sido nenhum dos dois Pitt mais novos, que realmente eram bons em não me atrapalhar quando ouviam Stravinsky saindo do meu quarto. Em vez disso, era Miley. 
- Ei – disse minha prima, depois de fechar a porta e se encostar nela. – Tem um minuto? 
Encarei-a. Havia alguma coisa... diferente nela. Diferente mesmo. A princípio não pude identificar direito. 
Então percebi: ela não vestia preto. Estava com jeans, jeans comuns, não dos que ela usava algumas vezes, todos enfeitados com ankhs e pentagramas desenhados com marcador de tecido preto. 
E também não estava usando uma tonelada de maquiagem. Sendo uma garota de aparência incrível, Miley nunca havia precisado de todo o delineador e o rímel que ela costumava colocar, de qualquer modo. Sem aquilo, parecia igualmente linda... só que de um modo diferente, mais vulnerável. 
Havia outra coisa diferente, também. Demorei mais um minuto para me dar conta do que era, mas então percebi. Ela não estava me olhando com raiva. Na verdade, parecia... bem, como se estivesse feliz em me ver. 
- Só queria pedir desculpas – disse ela – pelo modo como tenho tratado você desde que chegou aqui. 
Quase larguei o violino, de tão atônita.

- Sei que ultimamente tenho sido uma verdadeira psicótica – continuou Miley. – Não sei o que anda acontecendo comigo. Acho que simplesmente foi demais: a escola, a pressão para ser popular, o negócio com o Joe e... o lance de ser bruxa. E acabei pegando pesado com você. O que não é justo. Agora consigo perceber isso. Meu terapeuta, você sabe, aquele com quem me consulto, está realmente me ajudando com isso. Assim, eu queria dizer que sinto muito pelo modo como tenho agido, e agradecer pelo que você fez naquela noite, com os remédios e coisa e tal. Sei que você só fez aquilo porque estava preocupada comigo. Tenho sorte de ter tanta gente tão preocupada comigo. Isso foi um verdadeiro alerta para mim. De modo que... obrigada, Jinx. E... se não for problema para você... gostaria que me desse outra chance. 
Não consegui parar de encará-la. Tinha ouvido falar de milagres realizados por terapias, mas nunca esperei nada como aquilo. 
- Eu... – O que eu poderia dizer? Estava empolgada por ter a antiga My, a de cinco anos atrás, de volta. Se fosse realmente verdade. – Ah, My. Está falando sério? 
- Claro que estou – Miley abriu um sorriso. Até o cabelo dela parecia diferente. Estava preso no alto, fora dos olhos, de modo que ela quase parecia... bem... comportada. E feliz, para variar. – E não quero mais brincar de ser bruxa. Essa coisa toda sobre vovó e Branwen... era só idiotice. Assim como o negócio com o Joe e o boneco... – Ela estremeceu. – Meu Deus! Não acredito que cheguei a fazer aquilo. É tão vergonhoso! Coloquei aquele boneco idiota no lixo e esqueci dele, como você mandou. Quero realmente que sejamos amigas de novo, Jinx. Você acha que pode? 
- Claro que a gente pode – respondi. Porém havia alguma coisa me incomodando... e não era só o minúsculo nó que começava a se formar no meu estômago. – Mas e o... Liam?

- Liam? – Miley ficou confusa. Depois riu. – Ah, Liam! Eu sei, dá para acreditar? Não acredito que alguém o entregou desse jeito. Mas ele vai ficar bem. Ouvi falar que o pai dele já mexeu uns pauzinhos para colocá-lo na Spencer. Se bem que o doutor Kettering teve de trancar todos os blocos de receita. 
Encarei-a. 
- Suas amigas, Chelsea e Emily, parecem achar que fui eu que fiz isso. A escola toda parece achar que fui eu. 
- É? – Miley balançou a cabeça. – Mas que idiotice! Claro que não foi você. Não acredito. Meu Deus, você tem realmente um tremendo azar, Demi. Sempre teve, né. Essa é uma das coisas que mais adoro em você, acho. Você é simplesmente tão... previsível. 
Encarei-a, mais uma vez. Ela parecia realmente estar falando sério. Parecia ser... bem, a antiga Miley. Parecia mesmo. 
A próxima coisa que percebi foi que eu estava indo abraçá-la – depois notei que ainda segurava o arco e o violino. Rindo, pousei-os e segui para abraçá-la. 
Não podia acreditar! Enquanto ela me abraçava, tive de piscar para afastar as lágrimas dos olhos. Não parecia possível, mas estava mesmo acontecendo. Eu tinha a antiga Miley de volta! 
- Ah, Demi – disse ela quando finalmente nos soltamos. – Fico tão feliz porque você me perdoa! Em especial porque fui tão horrível com você.
- My – Balancei a cabeça. – Sempre vou perdoar você. Família é para isso, não é? Mas... – Havia sido necessária uma ida ao hospital, para dar um jeito nela, mas Miley parecia genuinamente com remorsos. Mesmo assim. – Você tem mesmo certeza... quero dizer... 
- Ah, Demi, não precisa mais se preocupar comigo – ela riu. – Estou legal, verdade. Só espero que você não... você sabe. Não se sinta sem jeito. Não com relação ao negócio de ser bruxa, mas com relação ao Joe. Eu realmente superei. Verdade. Juro. Não me importo nem um pouco que vocês estejam namorando. Na verdade acho que vocês formam um casal lindo. Serão um casal fantástico no baile.

- Obrigada – agradeci, desconfortável. - Mas, como vivo dizendo... nós não estamos namorando. Certamente não vamos ao baile juntos. 
- Por quê? Ele não convidou? – Os olhos de Miley estavam cheios de preocupação. – É estranho. Quero dizer, vocês dois ficaram tão unidos... mesmo que sejam só amigos, achei que ele iria convidar você para o baile... 
- Bem – fiquei sem jeito. – Ele convidou. Mas eu recusei. Porque não parece... 
- Ah, Demi! – exclamou Miley, vindo até mim e apertando meu braço. – Vocês dois têm de ir juntos! Têm! Não vai ser a mesma coisa, se você não estiver lá. 
- Se eu não... – Minha voz ficou no ar. – Você ainda vai? Mas eu pensei... 
- Claro que vou! Não com o Liam, claro. Ele não pode ir a nenhum evento da escola. Mas pensei em ir, você sabe, sozinha. Um monte de garotas vai. Não vou parecer a maior esquisita de lá por causa disso, nem de longe. E quem sabe? Talvez eu encontre alguém... alguém um pouquinho mais interessado em ser só amigo, em vez de amigo com benefícios. – Ela piscou para mim. – Se é que você entende. 
- Grande idéia – respondi, pensando que era exatamente disso que Miley precisava: um recomeço, especialmente no departamento do namoro. – Espere, já sei. Por que não vamos juntas? Você e eu... podemos procurar uns caras novos, nós duas... 
- Ah, não. E deixar o coitado do Joe de fora? Não é justo. Você precisa ir com o Joe, Demi. Precisa ir. Se não for... bem, vou achar que foi por minha causa. 
- Bem... – hesitei. 
Miley bateu na boca. 
- Ah, não! É por minha causa, não é? Ah, Demi, estou me sentindo péssima. Péssima! Não quero que meus problemas idiotas afetem outras pessoas. Demi, você precisa ir com ele. Precisa ir. 
- Mas eu já disse que não iria – expliquei meio impotente. 
- E se você ligasse para ele e dissesse que mudou de idéia? Tenho certeza que ele ainda vai querer ir. 
- Bem... Não sei. Talvez. Mas...
- Ah, liga para ele. – Miley pegou o telefone sem fio que estava na minha mesinha-de-cabeceira. – Liga agora mesmo e diz que mudou de idéia. 
- Não é tão fácil, My – pensei na expressão de Joe na última vez em que eu o tinha visto, quando perguntei se ele ainda estava apaixonado por Petra. Ele havia parecido tão estranho... Se não estava mais apaixonado por Petra, que incentivo teria para ficar perto de mim? 
Nenhum, claro. 
Lembrei que ele foi falar comigo por vontade própria hoje, também. Então, mesmo não estando mais apaixonado por Petra, ele ainda queria ficar comigo. Então Joe gostava de verdade de mim. Mesmo que só como amigo, isso já era maravilhoso. Pra mim já estava perfeito.
- Você nunca vai ter certeza, se não tentar – Miley estendeu o telefone para mim. 
Olhei para o aparelho. Ela estava certa, claro. E que mal faria perguntar? 
Dando de ombros, peguei o telefone e digitei o número do Joe. 
Ele atendeu ao segundo toque. 
- Joe? – falei. – Sou eu, Demi. 
Não percebi que estava prendendo o fôlego até que ele disse: 
- Ah, ei – numa voz que indicava que estava até feliz em falar comigo. 
Então soltei o ar, num jorro. 
- Como vão as coisas? – perguntou ele. – Como vai sua cabeça? Te procurei depois da aula, mas você tinha ido embora. 
- É, agora estou legal – encolhi-me diante dessa lembrança de minha muito embaraçosa incapacidade atlética. 
- Bom. E como vai sua prima? Ela... 
- Miley está ótima – interrompi, rindo para Miley. Ela riu de volta, levantando os polegares para dar sorte. – Na verdade, é meio por isso que estou ligando... por causa do baile da primavera. O negócio é que... hoje Miley está se sentindo muito, muito melhor. E disse que realmente odiaria se a gente não fosse ao baile por causa dela. 
- Ah, ela disse isso, foi? 
- Disse. De verdade. Por isso eu estava imaginando se você ainda queria ir. – Percebi que estava com as palmas das mãos suadas e enxuguei-as nos jeans, transferindo o telefone de uma das mãos para a outra. – Quero dizer, comigo. 
- Demi – disse Joe. 
- O quê? 
- Miley está aí no quarto com você, agora? 
- Ahã – respondi, tendo o cuidado de não encarar Miley. 
- Não acha que isso parece alguma armação?

- O quê? – fiquei espantada. – Não. Não, Joe, não é nada disso. Ela vai ao baile também... sozinha, é claro, por causa do que aconteceu com o Liam. E disse que iria se sentir mal se a gente não fosse. 
Pigarreei. Era esquisito demais. 
- Não tem nenhum problema se você já arranjou alguém para levar – acrescentei depressa. – Eu só estava checando. Para o caso de não ter arranjado. Mas se vai com alguém, não tem problema, verdade...
- Não é isso. Só que você não acha que isso é algum tipo de... 
- Demi – disse Miley. Olhei para ela, tirando o telefone da orelha e deixando de ouvir o que Joe estava falando. Miley estava estendendo a mão. – Deixe eu falar com ele. 
Sem saber o que fazer, entreguei o telefone a ela, que disse na voz mais animada que já havia usado na minha frente: 
- Joe? Oi, sou eu, Miley. Olha, Joe, sei que parece repentino, mas estou realmente agradecida pelo que Demi fez por mim. Só queria que minha prima soubesse como me arrependo e como andei tratando-a desde que chegou aqui, e... o quê? Ah, claro, Joe. Já fiz isso. E Demi parece mesmo a fim de me dar outra chance. Eu esperava que você também pudesse dar. 
Houve um silêncio enquanto Miley ouvia o que Joe estava dizendo. Depois, o rosto dela se abriu num sorriso enorme. 
- Ótimo – ela comentou. – Obrigada, Joe. Você não vai se arrepender. É. Está aqui. 
Ela me devolveu o telefone, murmurando: "Ele disse que sim!".
Não dava para acreditar. Sorrindo, encostei o fone no ouvido. 
- Joe? 
- Ou ela pirou de vez ou está tentando aprontar alguma para cima de você – disse Joe. – Mas não sei como vamos provar qualquer uma das hipóteses. Então acho que devemos ir. Pelo menos, se estivermos juntos, vou poder ficar de olho nela. Além disso, quanto problema alguém pode causar num baile de escola?

- Verdade – lancei um olhar nervoso para Miley, preocupada com a hipótese de ela ter ouvido. Mas ela estava olhando para a partitura que eu estava tocando e não parecia prestar a mínima atenção. – Parece legal... Então... – Eu queria perguntar sobre o que ele havia dito no jogo, sobre Petra, mas descobri que não podia, com Miley ainda no quarto. 
- Ela ainda está aí? – perguntou Joe. 
- Sim. 
- Olha, falo com você amanhã, na escola. Certo? 
- Certo – concordei, aliviada. Aliviada porque não teria de tocar no nome de Petra, afinal de contas. Porque havia uma parte minha que realmente, realmente mesmo, não queria saber. – Tchau. 
- Tchau – Joe desligou. 
Coloquei o telefone na base. 
- Bom – falei a Miley. – É isso aí. 
- Ele disse que sim, mesmo? – perguntou ela, ansiosa. 
- Disse mesmo. 
- Uau! – Miley ficou pulando e batendo palmas, se parecendo tanto com o que era antigamente, a Miley com quem eu havia me divertido horrores há cinco anos, que ficou impossível achar que Joe poderia estar certo com relação a ela. Talvez ele só estivesse sendo um nova-iorquino blasé. Talvez Miley tivesse realmente aprendido uma lição e mudado. 
Mas eu estava pensando no que ela havia dito antes, sobre ter posto o boneco do Joe no lixo. Seria verdade?
Não que eu – diferentemente do Joe – não acreditasse na transformação dela. 
Mas não conseguia tirar da cabeça aquele olhar que ela havia me dado no sábado à noite, na escada. Era ótimo que ela tivesse tido essa mudança de atitude, que tivesse desistido do negócio de ser bruxa – o que, em seu caso, não havia sido algo que lhe dera força, como deveria ter sido, e fora mais perigoso do que qualquer outra coisa. 
Mas e se não fosse verdade? Digo, e se tudo fosse fingimento? 
Fiquei me sentindo PÉSSIMA só por pensar em uma coisa dessas. Quero dizer, era óbvio demais que Miley estava pronta para um recomeço. Até pediu para ficar sentada me ouvindo ensaiar. Deixei, claro – estava lisonjeada demais para dizer não.

E então, quando ela sugeriu que a gente descesse e fizesse sundaes com calda quente e assistisse a umas reprises de The Real World, bem, também não recusei.

Porém, mais tarde, naquela noite, depois do jantar – a refeição mais agradável que eu havia tido na casa dos Pitt, vendo como Miley conversava animada o tempo todo, em vez de fazer comentários carrancudos sobre tudo que as pessoas diziam – saí pela porta da frente, desci a escada e fui para a rua. 
Onde comecei a revirar o lixo dos Pitt. 
Não demorei muito a encontrar. Estava numa sacola de compras escrito Eu ♥ Nova York, sozinho. O boneco do Joe, feito por Miley. Ela HAVIA mesmo jogado fora. 
Ela HAVIA mesmo mudado. 
E, mesmo ela tendo dito que não queria mais brincar de bruxa, levei o boneco do Joe, dentro da sacola, de novo para dentro de casa. Não porque não confiasse nela – não era isso DE JEITO NENHUM. Só que... bem, quer Miley tivesse o dom da magia ou não, ainda era um boneco com o cabelo do Joe. 
E de jeito nenhum eu iria deixá-lo mofar em algum aterro em Staten Island. 
Levei o boneco para o meu quarto e tirei da sacola plástica. 
Era realmente o boneco mais horrível que eu tinha visto. Mesmo assim, simbolizava o Joe. Quem poderia saber? Talvez eu o entregasse a ele algum dia (depois de fazer com que ele jurasse segredo com relação a onde eu o havia conseguido), só para rir um pouco. 
Mas então, no momento em que ia cair no sono naquela noite, uma coisa me ocorreu. Era idiotice, eu sabia. 
Mas mesmo assim isso me impeliu a levantar e tirar o boneco do esconderijo que eu havia arranjado. 
E sei que provavelmente era a coisa mais idiota para se fazer no mundo. Mas também sabia que não voltaria a dormir se não fizesse isso: separei com cuidado todos os fios do cabelo de Miley, deixando só os de Joe na cabeça do boneco, e joguei os de Miley no vaso sanitário. 
Depois, recoloquei o boneco no lugar e caí no sono mais profundo que já havia experimentado desde que tinha me mudado para Nova York. 
Talvez a moça da Encantos estivesse certa.

Tudo realmente iria ficar bem.

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Oláaa skyscrapers, como vocês estão? Gostaram do capítulo? Acham que está ruim? Comentem!
Eu nunca sei o que falar direito nos capítulos... Porque geralmente coloco uma pequena crítica sobre o que vou postar ou postei, algum comentário e tal, mas realmente não sei o que fazer nas fanfics, porque não vou comentar sobre alguma coisa minha e não tem mais nada que eu pense... Se tiverem alguma ideia, por favor, me falem. 
Okay?
Okay.
♥...♥
Até amanhã, xoxo


18 junho 2014

FFOBS está de volta!


Oi oi gente.

Estou novamente hoje aqui para um aviso bem rápido, mas que me deixou muito alegre: o FFOBS voltou! Isso significa que "Best Friends Or... Not" em breve sai do hiatus, só tenho que ver tudo direitinho com a minha beta, mas vou avisando tudo a vocês: quando eu mandar, quando ela enviar para o site, quando for postado e tudo o mais, como sempre. 

Esperamos que dessa vez ele tenha voltado para ficar! O que aconteceu foi que lançaram um vírus no site muito forte, difícil de ser detectado e o site teve que sair do ar para ele não se espalhar e para que pudessem descobrir a origem disso e acabar com esse vírus de uma vez, e deu certo. 

Já tem atualizações lá, para você que acompanhava alguma fanfic, que foram as enviadas antes das betas pararem de "trabalhar", vou escrever o próximo capítulo e logo converso com a minha beta, combino tudo e envio o meu também. 

Ainda não leu BFON? É uma fanfic interativa, ou seja, você escolhe os personagens, com gênero drama romântico, para mais informações só ir na página de fics aqui no blog, que inclusive tem o link direto para a fanfic.

Até mais :**

14 junho 2014

Sorte ou Azar? - Capítulo 15 #Day14


Os sininhos da porta da loja tocaram quando entrei. A mulher atrás do balcão levantou o olhar do livro que estava lendo e disse: 
- Abençoada... 
Então me reconheceu e seu rosto se abriu num sorriso. 
- Ah, é você – disse com gentileza. – Como vai, irmã? 
Fui para perto do balcão, hesitando. Desta vez, eu tinha vindo sozinha, me virando no sistema de transportes de Nova York sem a ajuda de Joe. Havia sido apavorante pegar o metrô sozinha, em especial quando os vagões chegavam trovejando na estação, rugindo tão alto que eu não conseguia ouvir mais nada. 
Mas eu tinha conseguido. E agora estava na loja da Rua Nove, sentindo que era idiotice ter vindo. A magia não poderia me ajudar. 
Nem esta mulher. 
Ninguém poderia me ajudar. 
A mulher pousou o livro. Olhei a capa. Não era um livro sobre bruxaria, como eu poderia ter esperado, e sim um simples romance de ficção científica. 
- O que é, querida? – perguntou a mulher com voz simpática. Olhei ao redor. A não ser pela gata, que estava deitada numa pilha de livros num canto, tomando banho, concentrada, não havia mais ninguém na loja. Engoli em seco. Estava me sentindo ridícula. No entanto... 
- Alguém que eu conheço está fazendo um feitiço – falei rapidamente. Afinal de contas... que mal faria? Talvez até ajudasse. – Só sei que um dos ingredientes é um tipo de fungo que cresce em lápides, e... ah... a pessoa que vai fazer o feitiço tem de colher os fungos à meia-noite sob uma lua crescente. Fiquei pensando se você teria alguma idéia do tipo de feitiço que poderia ser. 
A mulher, que parecia ter trinta e poucos anos, com pele perfeita e cabelos compridos e escuros, franziu a testa, pensativa. Fiquei preocupada com a hipótese de ela fazer um discurso sobre como a prática da bruxaria tinha realmente a ver com ganhar força, e que os feitiços eram apenas o modo de a bruxa focalizar a energia para resolver alguns problemas. Mas, em vez disso, a mulher falou:
- Bem, a lua crescente é quando está ficando cheia, de modo que um feitiço feito nesse período indica algum tipo de crescimento. É um bom tempo para novos começos. 
- Então... poderia ser um feitiço bom? – Fiquei animada. – Quero dizer, novos começos são bons, não é? 
- Nem sempre. – A vendedora me olhou com simpatia. – Essa pessoa está com raiva, por acaso? 
Engoli em seco de novo. "Tenho um agradecimento muito especial que estive guardando só para a Jinx."
- Está. 
Ela assentiu: 
- Isso significa problema, então. Mas nada que você não possa resolver. 
Olhei-a boquiaberta. 
- Eu? Dificilmente. 
A mulher pareceu achar divertido. 
- Só de olhar, posso dizer que você é uma bruxa nata... e poderosa, pelo que sinto. 
Balancei a cabeça de modo que os cachos bateram nas bochechas. 
- Não. Não, você não entende. Qualquer poder que eu tenha... é ruim. Tudo que eu toco dá problema. Por isso me chamam de Jinx. 
A mulher sorriu, mas ao mesmo tempo balançou a cabeça. 
- Você não é azarada. Mas sinto... perdoe-me por dizer, mas sinto que você tem medo dele. Do seu poder. 
Não pude deixar de encará-la. Como é que ela... 
Ah. Certo. Ela era uma bruxa. 
- Fiz um feitiço uma vez – contei, com a garganta subitamente muito seca. – Meu primeiro feitiço. Meu único feitiço, na verdade, a não ser um feitiço de amarração. Esse feitiço, o primeiro... deu errado. Muito, muito errado. 
- Ah. – Ela assentiu, como se soubesse das coisas. – Agora entendo. Esse poder que você descobriu a deixou amedrontada. Talvez seja isso que esteja provocando seu suposto azar. Você mesma está provocando-o, através do medo. 
O quê? Eu estava causando meu azar? Impossível. Por que eu faria isso?

- Compreendo como deve ser para você – continuou ela, com simpatia. – E está certa em ser cautelosa. Um poder tão forte quanto o seu... é realmente muita responsabilidade. Você nunca deveria usá-lo de modo leviano. E nunca, como tenho certeza de que aprendeu, para manipular a vontade de outra pessoa. Porque pode dar errado... muito errado, como parece ter acontecido com seu primeiro feitiço. Mas isso não significa que deva ter medo dele. Ter cuidado, sim. Medo, não. Porque seu poder, seu dom, faz parte de você. Uma parte boa, e não má. Ao não abraçá-lo, você está negando parte de si mesma. É como dizer que não gosta de si mesma. E isso é errado. Sem dúvida você pode ver que é isso que está acontecendo, porque tem uma espécie de... bem, como você diz, azar, não é isso o que Jinx significa?
Peguei-me confirmando com a cabeça. Não confiava em minha capacidade de falar. 
- A magia que você possui – continuou a mulher, com gentileza – é muito antiga e muito forte. Acho que a pessoa que está fazendo esse feitiço contra você, o dos cogumelos, não tem a mínima idéia do que está enfrentando. Você irá derrotá-la... mas, para isso, precisa abraçar aquilo que você teme. 
Abraçar o que eu temia? Ela só podia estar brincando. Quero dizer, era fácil para ela falar. Talvez se ela ficasse no meu lugar durante um dia, só um dia, veria que não havia nada para abraçar... só coisas das quais fugir, gritando. Ratos sem cabeça, ciclistas descontrolados, bonecos com alfinetes na cabeça e... 
A mulher sorriu para mim. 
- Você não acredita. Estou vendo. E não me importo. Mas esse seu feitiço de amarração... funcionou? 
Pensei em Petra... em Willem ganhando aquela viagem à Nova York e ela tirando dez em gliconutrição. 
- F... funcionou – hesitei. – Na verdade parece ter dado certo. Até agora. 
- Na hora você não teve medo do seu poder, não é? 
- Não. Eu estava com raiva.

- Está vendo? A raiva pode ser saudável. Quando for a hora, e ela vai chegar, lembre-se disso. E do que eu disse. Abrace seus poderes, ame-se da maneira que a natureza lhe fez, e você vencerá. Sempre. 
Eu queria acreditar nela. Mas como poderia abraçar uma coisa que, durante toda a vida, vinha simplesmente estragando tudo para mim? Impossível. 
Mesmo assim, para ser educada, sorri. 
- Ah – falei. – O negócio é que não estou preocupada comigo. Estou mais preocupada com... com um amigo. – Não queria admitir em voz alta que tinha medo de Miley fazer alguma coisa para prejudicar o Joe. Não de propósito, claro, mas não conseguia afastar a imagem daquele boneco com o alfinete na cabeça. Sabia, bem demais, como um feitiço podia se virar contra o feiticeiro e acabar prejudicando a única pessoa que ele jamais pretendia ferir. – Fico preocupada com a hipótese de essa... pessoa... que está fazendo o feitiço com os cogumelos, tentar fazer alguma coisa com ele. Esperava que você tivesse aqui alguma coisa que pudesse protegê-lo... sem que ele percebesse, se possível. 
- Ele não acredita? – perguntou a mulher, com um sorriso torto. 
- Ah... não exatamente. Os olhos azuis da mulher se franziram. 
- Sei. Bem, na verdade... 
E então a mulher – que, como percebi naquele momento, era realmente uma bruxa sincera e praticante, mesmo que não estivesse usando sequer um fio de linha preta, só uma camiseta Wonder Bread e jeans – desceu do banco e saiu de trás do balcão.
- Um pouco de casca de limão em pó – ela foi até a parede mais distante da loja, que era forrada de prateleiras onde havia aquele tipo de vidros com tampa de metal que deve ser erguida para que se possa pegar o que estiver dentro, como numa antiquada loja de doces. – Isso é para limpeza. – Em seguida, ela levantou uma tampa e pegou com uma colher um pouco de pó amarelo e pôs num saquinho de pano. – Depois, um pouco de gengibre, para dar energia. – Acrescentou no saquinho algumas lascas de uma raiz. – Cravo, para proteção, claro... – Alguns pauzinhos foram para dentro do saco. – E não vamos esquecer um pouco de alecrim. – Ela se virou e piscou na minha direção. – Para o amor, por mais impossível que possa parecer no momento. Pronto. – Ela torceu a boca do saquinho e depois amarrou-o com um pedaço de fita amarela. – Com sorte, qualquer feitiço feito contra essa pessoa – ela me entregou um saquinho – vai ricochetear sem causar dano algum e bater de volta em quem o lançou, enquanto ele carregar isso. 
Com sorte. Engoli em seco e peguei o saquinho. 
- Tipo aquele ditado popular? "Deus te dê em dobro tudo que me desejares"? 
A mulher riu de novo, os olhos azuis se franzindo nos cantos. 
- Exatamente assim. 
Abri minha mochila e coloquei o sache perfumado lá dentro, imaginando como, afinal, eu iria colocá-lo no Joe sem que ele soubesse... especialmente considerando o fato de que ele não parecia estar falando comigo no momento. 
- Bem, muito obrigada. 
Mas não conseguia ver como um punhado de ervas secas protegeria alguém da fúria de Miley. Por outro lado, uma vez eu havia deixado de ver como um outro feitiço iria funcionar, e olha onde ele me deixou. 
- Quanto devo? 
A feiticeira riu. 
- Nada! É meu prazer ajudar. Por sinal, meu nome é Lisa. 
- Demi – respondi estendendo a mão para apertar a da bruxa. – Mas você vai acabar indo à falência se ficar me dando coisas. Já me deu isso. – Toquei o pentagrama no pescoço. – Lembra? 
Lisa sorriu.

- Lembro. Use-o e tenha saúde. Volte em alguns dias e conte como estão as coisas. 
Pus a mochila no ombro: 
- Está certo. Obrigada. 
- E não esqueça – disse Lisa, enquanto eu estava saindo. – Abrace seu dom, Demi. Nunca tenha medo dele. Ele é parte de quem você é. 
Confirmei com a cabeça e saí da loja depois de agradecer mais uma vez. Havia uma parte minha, claro, que achava aquilo tudo uma idiotice. Abraçar meu dom? Sem dúvida ela não podia estar falando do dom que a tata-tata-e-assim-por-diante-tataravó Branwen havia deixado para mim... ou para nós, se Miley fosse incluída. O dom sobre o qual Miley havia dito, em tom de zombaria, que ela não tinha medo de usar, ainda que talvez eu tivesse. O dom da magia. Como essa mulher poderia saber sobre Branwen, quanto mais sobre seu dom? 
Será que eu tinha algum tipo de poder – verdadeiro – como a mulher parecia achar? 
E será que eu estava realmente provocando minha má-sorte ao temer e não abraçá-lo? 
Só havia um modo de descobrir.

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Então cherries, o que acharam? 
Estava pensando em fazer um especial com os leitores aqui do blog... vou pensar melhor nisso e faço uma postagem falando isso pra vocês. Provavelmente será depois desses #100HappyDays, mas vou tentar fazer antes disso.. 
Até amanhã, amores. 
~xoxo



08 junho 2014

Sorte Ou Azar? - Capítulo 14 #Day8


O que mais eu deveria fazer? 
Não podia simplesmente deixar minha prima andar por aí tomando drogas. Não se houvesse algo que eu pudesse fazer para impedir. 
Assim, numa noite, encontrei o depósito secreto quando ela não estava em casa (não foi tão difícil; ela havia escondido os comprimidos dentro do porta-jóias), depois revirei a farmácia da rua até encontrar comprimidos de aparência semelhante, mas inofensivos, que eu poderia substituir pelos de verdade - que então joguei no vaso e dei descarga. 
- Quando ela chegar em casa - observou Joe, por cima de sua Coca - vai matar você. 
- Miley ia me matar mesmo antes disso - falei em tom sombrio. - Isso só vai intensificar a decisão dela. 
- Você sabe que ela não pretendia se matar de verdade. - Joe levou a lata de refrigerante aos lábios e tomou um longo gole. 
- Não pretendia? Joe, claro que pretendia. Você não toma uma overdose de Valium por acidente. Isso é loucura! 
- Hã. - Joe enfiou a mão no saco de batatas fritas que alguém havia deixado aberto na mesa da cozinha e pegou um punhado. - Loucura nada. Valium é a única droga com a qual é bem difícil de se matar. E a noção de tempo dela foi impecável, para o caso de você não ter notado. 
Arrasada na cadeira em que Ashley geralmente se sentava no café-da-manhã, olhei atônita para Joe. 
- A noção de tempo? O que você está falando? 
- Ela sabia que eu e você íamos sair esta noite, não é? 
Mordi o lábio, lembrando-me do confronto na cozinha. 
- Bem, sabia. 
- Foi o que pensei. Então deve ter tomado os comprimidos na hora do jantar. Bem antes de eu vir pegar você. Se Petra tivesse verificado, como deveria, teria encontrado Miley esparramada no chão e sua idazinha ao teatro - ele mordeu ruidosamente uma batata - teria sido adiada indefinidamente. 
Olhei por cima da mesa da cozinha.
- Você não pode estar falando sério. Está dizendo que Miley não tentou se matar, que tomou um punhado de comprimidos só para me impedir de sair com você?

Ele deu de ombros e engoliu a batata com um bocado de refrigerante. 
- Não um punhado. Dois. Foi quantos ela disse aos paramédicos que havia tomado. Miley sabe que dois Valium não fazem nada. É só um show. Um show grade e inconveniente. Ela não fez nada contra si própria. Felizmente para nós, desta vez, você trocou o Valium por aspirinas infantil. E então Petra fez besteira e só encontrou Miley depois de termos saído. 
- Ah, Joe - suspirei. - A coitada da Petra achou que era culpa dela, mas não é. É minha. 
Joe bateu seu refrigerante na mesa. 
- Corta essa - ele fez uma careta. 
Mas era fácil para Joe dizer "corta essa". Para mim não era nada disso. Afinal de contas, Miley havia confiado em mim, mostrando o boneco que tinha feito. E como eu havia retribuído? Saindo com Joe. Claro, Joe não gostava de mim, pelo menos não como eu gostava dele. Eramos apenas amigos. 
Mas ele e Miley eram só amigos, e ele não ia a concertos com ela. Claro que ela ficou com ciúme. Claro que havia agido movida por esse ciúme. 
E agora ele tinha me convidado para acompanhá-lo no baile. Se ela havia tentado se matar - ou, se o Joe estivesse certo, fingindo uma tentativa de suicídio - só porque nós tínhamos ido a um concerto juntos, o que faria quando soubesse que ele havia me convidado para o baile da primavera? Eu não sabia. Mas tinha certeza de que não queria descobrir. 
Foi nesse momento que o telefone tocou. Antes do segundo toque, eu estava de pé, saindo de trás da mesa e pegando o aparelho. 
- Sou eu - disse tia Jennifer. - Estamos aqui no hospital com a My. Vamos chegar logo em casa. Ela vai ficar bem graças a você. 
Soltei um enorme suspiro de alívio. 
- Graças a Deus. 
Levantei o polegar para Joe. Ele murmurou: 
- Eu não disse? 
- Como estão as crianças? - perguntou tia Jennifer. 
- Dormindo. 
Ashley, felizmente nem chegou a acordar. Braddy ouviu a agitação e desceu, mas Joe o convenceu a voltar para a cama prometendo um jogo de bola no quintal, no dia seguinte.

- Ótimo. Bem, parece que vão dar alta logo. Não tiveram de fazer lavagem estomacal, assim que souberam que era... bem, o que você disse. Mal pude acreditar quando me contaram. Não sei como ela conseguiu arranjar Valium. Como você soube, Demi? 
- Soube o quê? 
- Que ela estava com aqueles comprimidos? 
Engoli em seco.
- Eu... só encontrei... 
- E não contou a gente? - Tia Jennifer pareceu realmente desapontada comigo. - Estou muito grata pelo que fez, Demi, mas mesmo assim deveria ter nos contado. Miley está... ah, aí vem um médico. Não espere por nós, Demi. Vamos conversar de amanhã. Obrigada por vigiar as crianças. 
- Ah, não tem pro... 
Mas tia Jennifer já havia desligado. 
- ...blema.
Pus o telefone no gancho, depois me virei para Joe. Sentia como se fosse vomitar. Mas não tinha opção. 
Miley havia pensando em tudo. 
- E então? - Joe estava me olhando com aqueles intensos olhos castanhos. - Ela está legal, não é? Eu disse. 
- Ela está bem - engoli em seco. - Joe. Não posso ir ao baile com você. - Falei depressa. E com firmeza. 
Joe só continuou me olhando. 
- É isso que ela quer, você sabe. Foi por isso que fez. 
- Mesmo assim - lembrei-me de como a voz da tia Jennifer pareceu sofrida ao telefone. - Não posso ir. Sinto muito. 
Joe revirou os olhos. 
- Para de se culpar. Nada disso é sua culpa. 
- É minha culpa, também! Por isso não posso ir com você. Não seria certo. É melhor você convidar outra pessoa. 
Joe pareceu com raiva. 
- Não quero convidar mais ninguém. Se não posso ir com a garota que eu quero, não vou com ninguém. 
- Por quê? - perguntei acalorada. - é Petra que você quer, mas ia comigo. Então que diferença faz? 
- Sabe de uma coisa? - ele soltou um riso súbito. E sem humor. - Você está certa. Não faz diferença nenhuma. Vou para casa agora mesmo. Vejo você amanhã. 
E então foi embora.

Fiquei sozinha na cozinha dos Pitt. O que tornou fácil fazer o que fiz em seguida: me sentar e abrir o berreiro durante uns bons dez minutos. E não estava chorando só por mim ou porque tinha perdido o Joe - não que ele fosse meu pra começar. 
Não. Eu estava chorando por Miley, e por Petra, e por todas as pessoas que a minha magia havia ferido. 
Parando para pensar, o que Miley havia feito consigo mesma não era, no fundo, resultado direto de meu feitiço de amarração? Eu a havia amarrado para não fazer mal aos outros... 
... mas não para não fazer mal a si mesma. 
Esse fato me machucou ainda mais quando ela finalmente chegou em casa e a vi ali com eles - com os pais e Petra - no hall quando corri para recebê-los. Miley estava pálida e parecia mais magra do que nunca. 
Mas mesmo pálida, não havia nada de fraco no modo como lançou um olhar, que sem dúvida era de pura maldade, por cima do ombro quando parou de subir a escada depois de ouvir minha voz quando falei: 
- Ah, vocês chegaram. 
- Ah, Demi - disse tia Jennifer, enquanto tiravam o casaco de noite. - Ainda está acordada? Não precisava esperar. É tarde. 
- Fiquei preocupada demais para dormir. 
- Bom, não precisa mais se preocupar - o tio Brad olhou para Miley na escada. - Ela está bem. Graças a você. 
Ao ouvir isso, o rosto de Miley perdeu um pouco de palidez e assumiu uma espécie de vermelho manchado. Depois olhando pra mim, cuspiu: 
- Vou pegar você por isso, nem que seja a última coisa que eu faça, Jinx! 
- Miley! - o tio Brad ficou pasmo. - Sua prima pode ter salvado sua vida hoje. A coisa adequada seria agradecer a ela. 
- Ah, vou agradecer, sem dúvida - Miley soltou um riso de desprezo. - Tenho um agradecimento muito especial que estive guardando só para a Jinx. 
- Miley! - a voz de tia Jennifer saiu tão dura que poderia ter cortado o vidro. - Vá para o seu quarto. Vamos discutir isso de manhã. Com seu terapeuta. 
Miley me lançou um último olhar funesto e depois subiu correndo a escada.

Quando a porta havia batido, Petra, que estivera parada em silêncio junto da porta que dava na sala de estar, disse: 
- Bom, estou cansada. Se não for problemas para vocês, acho que vou dormir. 
- Claro, Petra - respondeu tia Jennifer num tom completamente diferente. - Muito obrigada por tudo o que fez esta noite. 
- Sem problema - respondeu Petra. - Fico feliz porque... bem. Fico feliz. Boa noite. 
Ela desapareceu pela porta que dava em seu aconchegante apartamento do porão, depois de me lançar um olhar de bondade e consolo, que quase dizia "vai ficar tudo bem". Assim que ela sumiu, virei-me para tia Jennifer e tio Brad. 
Era hora. Eu havia feito com Joe. Agora era a vez deles. 
Não queria. Mas não tinha escolha. 
- Sei que vocês dois estão cansados e provavelmente querem ir para a cama. Mas só queria dizer como lamento não ter contado sobre as drogas. Quero dizer, que eu sabia que Miley tinha. E... e... - acrescentei essa última parte rapidamente, tendo ensaiado praticamente sem parar, na cabeça, desde que tinha visto Miley ser carregada para fora da casa naquela maca. - E se quiserem me mandar para casa, entendo completamente. 
Tia Jennifer e tio Brad me olharam como se eu tivesse sugerido que me degolassem. 
- Mandar você para casa? - ecoou tio Brad. - Por que faríamos isso? 
- Ah, Demi, querida. - Cheirando a um perfume exótico como sempre, e linda num vestido longo e preto, tia Jennifer passou o braço em volta de mim. - O que aconteceu esta noite não é sua culpa. Miley anda tendo... dificuldades... já há algum tempo. Desculpe ter sido rude com você ao telefone. Eu só estava perturbada. Mas não culpamos você. De jeito nenhum. 
- Mas - como eu poderia explicar isso sem fazer Miley me odiar (não que ela já não odiasse) para sempre se descobrisse? - É só que... bem, esse negócio com o Joe... 
O rosto bonito de tia Jennifer endureceu e ela afastou o braço de mim. Mas não, como pensei a princípio, porque estava com raiva de mim.

- É disso que se trata? - perguntou ela. - Nós estávamos imaginando. Miley tem uma fixação por ele há um bom tempo. É uma infelicidade ele não corresponder ao sentimento, mas eu expliquei a ela... que a vida é assim. Não é sua culpa se ele escolheu você e não ela. 
Fiquei vermelha até a raiz dos cabelos. 
- Aah, não - falei, horrorizada. - Joe e eu... não estamos namorando. Somos só amigos. Não sei porque Miley acha que é algo além disso. 
Tia Jennifer levantou as sobrancelhas. 
- Verdade? - perguntou. - Bem, porque ele sempre parece estar... 
Mas ela não terminou porque o tio Brad interrompeu; 
- Espere. Não estou acompanhando. Achei que Miley havia superado o negócio com o Joe. E o tal de Liam? 
- Acho que são só amigos - disse tia Jennifer. 
É. Amigos com benefícios. 
- O negócio - senti que, de algum modo, o objetivo do meu discurso havia se perdido - é que acho que o fato de eu ser amiga de Joe foi que levou Miley a fazer o que fez. De modo que, se eu fosse para casa... 
- Você ainda não pode voltar para Hancock, Demi - tia Jennifer pareceu perturbada. - Brad e eu adoramos ter você aqui. E Braddy e Ashley veneram você. Petra só consegue dizer coisas boas a seu respeito. Até Marta diz que você é um sopro de ar puro na casa. Você se tornou tão necessária aqui que nem sei o que faríamos sem a sua presença. 
- E - acrescentou tio Brad - francamente, acho que sua estada aqui tem sido boa para Miley. Sei que esta noite foi ruim. Mas imagine como poderia ter sido pior, se você não tivesse... bem, feito o que fez. 
- Você é um bom exemplo para ela, Demi - concordou tia Jennifer. - Você tem os pés plantados com muita firmeza no chão. Devo admitir, Demi, que eu realmente esperava que um pouco da sua boa influência passasse para Miley. 
Mordi o lábio inferior. Bom exemplo? Eles esperavam que um pouco da minha boa influência passasse para Miley? 
Meu Deus, não era de espantar que ela me odiasse tanto! 
Eu me odiava, ouvindo como eles me descreviam.

Mas a verdade é que eu não queria ir embora. Mesmo que tia Jennifer tivesse errado totalmente o alvo com seu comentário sobre "pés plantados com muita firmeza no chão". Ela claramente não fazia idéia de para onde eu ia amanhã - um lugar onde eu sabia que, agora que ia ficar na casa, não tinha opção a não ser ir. 
E eu não iria lhe contar.
- Certo - concordei. - Eu fico. 
Afinal de contas, qual era a pior coisa que poderia acontecer? Nada tão ruim quanto o que havia acontecido em Hancock. Pelo menos foi o que eu pensei naquele momento.

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Finalmente SOA sai do hiatus cherries, espero que tenham gostado deste capítulo.
Infelizmente, ocorreram alguns probleminhas com a enquete. Então levei em consideração os dois votos que eu tinha visto antes dela travar e o que recebi pelos comentários, e a fanfic vencedora foi essa. Então vou terminar SOA, depois UPD, e então começa a segunda temporada de Inspiration. Se quiserem que intercale as duas, é só pedir nos comentários, lembrando que UPD é uma ShortFic, então não terá muitos capítulos.
Provavelmente postarei quinzenalmente, intercalando com algumas das tags e resenhas, mas pode ser que venha a postar toda a semana dependendo das postagens feitas e dos pedidos. 
Até amanhã amores, See Ya